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Em maio de 2024, o Google lançou os AI Overviews nos Estados Unidos, inserindo respostas geradas por IA no topo da página de resultados de busca. Esta atualização, parte da Search Generative Experience (SGE), já apresenta efeitos mensuráveis: uma queda acentuada nas taxas de cliques de anúncios pagos e o rápido crescimento das buscas sem clique.

Os algoritmos de resumo de IA agora forçam o SEO a mudar.

A visibilidade é agora um resultado direto de três ações estratégicas: construir uma biblioteca de respostas diretas, não apenas artigos (semântica); ser a fonte original dos dados, não o comentarista (confiança); e coletar provas públicas de expertise (autoridade).

Na prática, isso exige uma revisão completa de como o conteúdo é planejado, escrito e distribuído.

O Novo Formato de Busca: AI Overviews nos EUA

Avançando para 2025: os AI Overviews do Google operam mundialmente, marcando uma virada definitiva na interação do usuário com os resultados de busca. Este recurso, parte da SGE, utiliza IA generativa para entregar respostas diretas e contextuais no topo da página, muitas vezes acima dos resultados orgânicos e dos anúncios pagos.

Dados da Seer Interactive mostraram que a aparição dos AI Overviews em 2024 reduziu a taxa de cliques de anúncios pagos em até 53,6% em categorias selecionadas. A CMSWire relata que o novo formato acelera o fenômeno das buscas sem clique, onde o usuário encontra uma resposta sem visitar nenhum site.

O CTR pago caiu 12% quando os AI Overviews estavam presentes na SERP. Fonte: Seerinteractive

Em resposta, empresas americanas estão reconstruindo suas estratégias de conteúdo, SEO técnico e sinais off-site para manter a visibilidade. A Amsive, por exemplo, observa que marcas com autoridade estabelecida e forte estrutura de dados obtêm um benefício claro nos resumos gerados por IA.

Do SEO ao GEO: o início da Otimização para Motores Generativos (Generative Engine Optimization)

Este novo contexto cria uma nova disciplina: Otimização para Motores Generativos (GEO). Diferente do SEO tradicional, que busca ranquear páginas, o objetivo do GEO é tornar o conteúdo legível, crível e útil para modelos de IA generativa como ChatGPT, Perplexity, Bing Copilot e o próprio Gemini do Google.

Casos reais mostram resultados deste método. A Geneva Worldwide, uma empresa de serviços linguísticos, aumentou sua presença em resumos de IA com a criação de páginas com estrutura clara e foco em perguntas comuns. Separadamente, uma marca de e-commerce recuperou tráfego perdido após reescrever milhares de descrições de produtos para incluir dados estruturados e bullet points informativos.

Com o GEO, surge um novo processo de pensamento para conteúdo e presença na web. Vai muito além das técnicas de copywriting: atinge a estratégia central, desde a criação de um calendário editorial até um domínio completo dos motivos da audiência. Embora a demografia seja um requisito antigo, o marketing real passou a apreciar o mapa emocional e os desejos de seu público.

Aqui, nosso papel como humanos é mais vital do que nunca. Nosso trabalho é pegar o insight humano, que vem da empatia, e usá-lo para construir uma arquitetura de conhecimento. O objetivo é construir uma estrutura que os algoritmos possam analisar, validar e confiar.

SEO X GEO: diferenças e intersecção

AEO: Otimização para Motores de Resposta (Answer Engine Optimization)

Como complemento ao GEO, o conceito de Otimização para Motores de Resposta (AEO) ganha terreno. Ele se concentra na estrutura do conteúdo para servir como a resposta ideal para snippets, painéis de conhecimento, assistentes de voz e IA conversacional.

Aproximadamente 65% das buscas no Google terminam sem clique. Isso afirma a necessidade de uma aparição como resposta direta, não apenas um link.

Esta descoberta da SparkToro sinaliza uma clara necessidade de expandir este assunto específico em nosso trabalho. Por este e outros motivos, trazemos esta discussão para uma rede mais ampla.

Dito isso, vamos continuar.

As principais estratégias de AEO incluem:

  • O uso de dados estruturados (Schema.org)
  • A criação de FAQs focadas em tópicos
  • Conteúdo em linguagem natural e objetiva
  • Uma base construída em autoridade e confiabilidade

Empresas que dominam o AEO mantêm sua relevância mesmo com a queda do tráfego orgânico tradicional.

📌 Nota: GEO e AEO não são substitutos para SEO. São complementos ao trabalho!

Sua função é garantir a confiança com o público cujos resultados de busca são um produto da IA. Eles fazem isso com um foco nítido em autoridade, semântica e clareza.

Por que a Ação Antecipada Oferece uma Vantagem

Enquanto o mercado dos EUA testa respostas a esses novos produtos de busca, outras regiões ainda têm uma rara janela para se adaptar com inteligência. A disseminação global dos AI Overviews é apenas uma questão de tempo. Quando acontecer, as marcas preparadas garantirão uma clara vantagem competitiva.

A oportunidade está aberta. CEOs, CMOs e Chefes de Marketing devem considerar estas ações:

  • Nova alocação de orçamento: Investir menos em tráfego pago e mais em conteúdo estruturado e autoridade digital.
  • Uma profunda reestruturação de conteúdo: Adaptar blogs, landing pages e descrições para um formato que a IA possa consumir e referenciar.
  • Métricas para um novo campo: Observar não apenas o CTR e o tráfego, mas também as aparições em respostas geradas por IA e menções de fontes confiáveis de terceiros.

Finalmente, uma compreensão profunda desses eventos importa, mas o que importa mais é um movimento para garantir a posição de liderança.

É uma escolha de investimento clássica: comprar na baixa, vender na alta. Aqueles que se preparam hoje ganham terreno antes que o resto do mercado comece a reagir.

Este é o ponto onde a contribuição de especialistas se torna decisiva. Nestes novos motores de busca, a presença de uma marca deve ser cultivada, não apenas publicada.

*Este artigo é uma adaptação em inglês de uma série de artigos co-escritos com Fabio Schunke.

EEAT. Você já deve ter visto essas quatro letras algumas vezes. Não faltam artigos e guias sobre o assunto. Só que o problema é que boa parte deles explica o conceito de forma técnica literal e traduzida do inglês. É justamente para trazer uma visão prática e sem blá blá blá que decidi escrever esse artigo. Quero compartilhar bastidores e vivências sobre o que está por trás desse conceito tão importante. Vamos passar pelo básico, depois as histórias e por último, três “hacks” para usar já.

Prontos? Vamos decolar.

EEAT é abreviação de experiência, expertise, autoridade e confiabilidade. Na prática é a substância que você traz em um artigo ou conteúdo. Seja a sua audiência avançada, iniciante tofu ou bofu, uma coisa é fato: já está todo mundo saturado de conteúdo “Mais do Mesmo”. E isso não é apenas mera constatação empírica de quem vive o mercado. Pesquisas como a da Marketing Tech News indicam altíssima queda no engajamento em conteúdo escrito puramente por IA.

Porém, muito antes disso a Internet já estava cheia de “conteúdo filler”. Ou seja, a história não é novidade… ela apenas se acentuou com as inteligências artificiais generativas (principalmente em virtude da escalabilidade). Feito este adendo, é hora do túnel do tempo. Retrocedendo alguns anos…

Lá em 2019, o Google lançou o conceito de EAT em suas diretrizes (Expertise, Autoridade, Confiabilidade).  Porém, muito antes disso como por exemplo em  2011 e 2012, o buscador lançou 2 atualizações no seu algoritmo, chamadas PANDA e PENGUIN. Em outras palavras, há quase uma década essas práticas que buscam “atalhos” estão sob a mira do Google e outros buscadores.

Inclusive, antes disso, em 2003 ouve a atualização Florida, que considero um dos primeiros passos para endurecer o jogo para quem estava usando táticas manipulativas de SEO Afinal, o usuário precisa de uma boa experiência.Não digo isso apenas como um clichê, mas sim porque relevância e confiança estão entre os maiores ativos de um buscador. Então frustrar esses valores com resultados fracos é jogar contra o próprio time.

Agora, de volta ao período mais recente: em 2022, saiu a atualização que introduziu o conceito de EEAT (Experiência, Expertise, Autoridade, Confiabilidade), pois considerando apenas as diretrizes EAT, a web começou a lotar de produções que entregavam uma profundidade nas aparências, mas não experiência de fato.

Aliás, na época do lançamento dessa atualização, no post oficial do Blog Search Central, a própria Google fez uma pergunta que resume tudo: “O conteúdo também demonstra que foi produzido com um certo grau de experiência, como o uso real de um produto, ter de fato visitado um lugar ou comunicar aquilo que uma pessoa vivenciou?“.

O cerco está apertando em relação às técnicas de produção de conteúdo, isso traz um impacto imenso para o SEO. Afinal, por um tempo se pensou que era só citar dados e incluir porcentagens de fontes confiáveis nos artigos que estaria tudo resolvido. Isso ainda vale, mas não é tudo.

Ok, Vamos falar da vida real agora.

Uma história curiosa… Lá pelos idos de 2020, estava com vários clientes trabalhando na produção de conteúdo relevante para conexão com o público e crescimento orgânico. O problema foi que um deles era muito apegado às técnicas tradicionais e não entendia porque ” enfeitar tanto” os blog posts, já que isso demandava um tempo maior de produção (sem IA). Ele estava ficando insatisfeito com o tempo de entrega e pensei que teríamos que encerrar a parceria. Foi então que, como última cartada, agendei uma reunião de 1 hora com ele. Era uma tarde de quinta-feira e ele parecia cansado. Na hora, pensei: vou ter que resumir meu pitch. Que desafio!

Pois bem, expliquei para ele sobre a atualização e como os “robôs” iriam desvalorizar se ficássemos apenas nas regras tradicionais e produzindo textos “a toque de caixa”.

Ele entendeu, mas tinha a dor do tempo Três Pontos complicado. Como meio termo, sugeri que os artigos fossem um pouco menores, mas incorporando os princípios de forma genuína. Tinham se passado exatos 35 minutos, eu disse as últimas frases… Fim do pitch. Confesso que fiquei um pouco apreensiva esperando alguma resposta dele depois de ouvir aquela enxurrada de informação resposta dele.

Ele ficou olhando com uma expressão de testa franzida, como quem está processando tudo… Acho que foram uns 15 segundos, mas parecia uma eternidade (quase suspeitei que havia alguma falha na conexão!), mas continuei lá. Por um instante desviei o olhar, para deixá-lo mais à vontade. Foi quando ele limpou a garganta que eu voltei a olhar para a tela. Então ele continuou e disse: “Vamos tentar”. Respirei aliviada.

Se você chegou até aqui, deve estar interessado nas dicas práticas de e e até para usar já: lá vão elas:

#1: Do chão de fábrica ao conteúdo.

Vamos ser sinceros, a nossa experiência de verdade não costuma nascer pronta para virar um artigo de blog ou ebook. É algo que se manifesta na rotina, como planilhas internas, conversas no Slack, e relatórios enviados aos clientes. Calma, não estou dizendo para você espalhar conteúdo interno cru pela internet. Na verdade, te convido a “minerar” a experiência que já tem. Por exemplo, quando colocamos a nossa experiência em algo, é interessante “escavar” qual dado único ou aprendizado real pode ajudar a sua audiência. É isso que faz uma frase chata como “Foi observado que…” virar algo mais próximo como “Num projeto recente, revertemos uma queda de 20% ao…” .

Apenas lembre: não é um teatro para parecer experiente, mas sim uma forma de compartilhar de modo útil o que já foi vivido na realidade (sim, uma redundância proposital para reforçar a mensagem desse trecho).

#2 Chega de mais do mesmo!

A IA entrega consenso, resultados já estabelecidos, conteúdo commodity por assim dizer. O”A” de “Autoridade” vem de usar o seu arsenal para prever a próxima curva ou até mesmo dissecar as dores do mercado que são tratadas de modo raso (ou não ditas também). Com isso, você coloca novas peças no jogo, traz um olhar diferente que faz todos se moverem (tanto a concorrência como o algoritmo).

#3 As sandálias da humildade

Contraintuitivo? Talvez? Poderoso? Sim. Antes de encerrar um artigo denso, é válido escrever um trecho que mostre as limitações do artigo. Para ilustrar: “A análise aqui descrita tem foco no impacto do EEAT em produções para o mercado B2B. Não abordamos aqui as questões voltadas a e-commerces de nicho ou a integração com outras estratégias. Como estes são desdobramentos específicos e avançados, merecem uma análise à parte.” Ou seja, ao admitir que “não sabe de tudo”, você reafirma a confiança no que sabe.  E tem mais aqui você pode abrir um , e, “loop” na mente da audiência, fazendo-a pensar em problemas que ela nem sabia que existiam… os quais a sua expertise resolve.

Parece complexo, porém já não é opcional. Principalmente agora com a ia gerando as respostas e aumentando o número de “Zero-click searches”.

A boa notícia é que produzir conteúdo que faça a sua marca ser a fonte e não apenas mais um resultado, não precisa ser um gargalo.

Pelo contrário, é um trunfo: um valioso canal de relação e construção de confiança com a sua audiência.

Conte com quem entende do assunto e trabalha com isso todos os dias. Como? A resposta é fácil: nossa conversa continua no inbox.

Sobre a autora: Scarlett Duarte é bacharel em Publicidade e Propaganda pela Universidade Feevale e tem diversas especializações focadas em planejamento e produção de conteúdo de alto nível. Entre as principais estão Content Strategy for professionals (Northwestern University), SEO Avançado (UC Davis) e Generative Engine Optimization (Obility).

Com mais de 10 anos de experiência na área de marketing, já produziu centenas de artigos para clientes em diversas áreas, desde SaaS e mercado financeiro até empresas de advocacia, imobiliárias e saúde.